quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Retrospectiva: Black Sonora no movimento colaborativo da Música Independente Brasileira



“Na copa redonda de algum juazeiro
A aguda cigarra seu canto desata
E a linda araponga que chamam Ferreiro,
Martela o seu ferro por dentro da mata”.
Patativa do Assaré

Colaborar é, no momento, uma das palavras que mais ecoam no espaço da Música Independente Brasileira. E para colaborar é preciso mergulhar fundo nas águas processuais que movimentam toda sua cadeia produtiva. Independente, só se for das amarras que impedem a flexibilidade do mercado e a diversidade do som.


Afinal, são poucos os casos de sucesso quando se busca viver da música com esforço isolado. O trabalho hoje é coletivo, e vai muito além da qualidade do som que sai da caixa. Depende também do que se tem na cachola. É o que acredita e pôde vivenciar, durante a Feira da Música 2009, a banda Black Sonora.


Ao chegar a Fortaleza (CE), cidade anfitriã da feira, que teve como tema, em sua oitava edição, “Música, Novas Tecnologias e Ambientes na Web”, os rapazes da banda e os demais participantes, receberam, cada um, 64 patativas para serem usadas durante os quatro dias (19 a 22 de agosto) de encontro.



Uma homenagem póstuma ao poeta popular nordestino Patativa do Assaré, que em 2009 comemoraria 100 anos de vida, a moeda solidária foi criada para circular durante o evento, podendo ser usada nos estabelecimentos conveniados, como restaurantes, lanchonetes, lojas, etc.


Tal iniciativa integrou as comunidades da região. Para trabalharem na feira, muitos moradores foram capacitados em oficinas de customização de roupas, bartender, grafitagem e roadies. Além disso, possibilitou a intensa participação da galera da música, que, com as patativas nos bolsos, teve como única preocupação decidir de quais das inúmeras atividades participar.


Uma delas foi o VIII Encontro Internacional da Música, que reuniu os participantes para discutir “Tecnologia e suas relações com o universo musical”. Por meio de oficinas, cursos, painéis e workshops, eles tiveram a oportunidade de conhecer ações que já vêm sendo desenvolvidas nessa área.


Um exemplo apresentado foi o projeto que tem o objetivo de criar uma grande rede, via internet, conectando os quatro pontos do país. Um fluxo constante de informações visando a articulação e realização de turnês de bandas independentes no país: era o embrião do Toque no Brasil, que já faz seu primeiro projeto experimental com o Grito Rock, o maior festival de música independente da América Latina. E o Black Sonora já é um nó dessa rede.


A banda também está participando dos projetos do Coletivo Pegada, grupo que começa a agitar a cena musical independente de Belo Horizonte (MG), formando com vários coletivos brasileiros o Circuito Fora do Eixo cuja missão é estimular a circulação de bandas por meio de festivais, entre outras várias ações.


Outro som que repercutiu durante os quatro dias de evento, em Fortaleza, foi o da troca de experiências. Para o Black Sonora, junto com Marku Ribas, Érika Machado, Babilak Bah e Porcas Borboletas, que estavam ali representando Minas Gerais, foi a oportunidade também de conhecer importantes agentes, representantes culturais e de políticas públicas que atuam no cerne desse movimento e estavam dispostos a oferecer seu conhecimento em prol dessa cadeia produtiva musical.

A música independente está vivenciando um momento de revolução, está se organizando e se conectando como nunca antes. A Feira da Música é um grande exemplo disso. Os festivais crescem e ganham estrutura. As grandes empresas do mercado fonográfico não dão bobeira e já percebem que é preciso discutir e unir forças com aqueles que quase nunca fizeram parte de seu nicho.

E as bandas ganham uma nova postura frente a esse contexto. Não basta só tocar bonito feito a cigarra. É preciso colaborar e trabalhar duro como as formigas.

No mais... aquele abrAÇO e espalhe a palavra

Yuga

Um comentário:

r4f4 disse...

Muito bom rapazeada força nessa caminhada da música independente!

BlogBlogs.Com.Br